Nem sempre
Chovia, mas eram férias e
nada podia nos acalmar, nem o barulho das grossas gotas no teto de alumínio
que, apesar de agudo, passava despercebido.
Éramos
modelos, os sapatos grandes, as flores molhadas no cabelo e os prendedores que
marcavam a passarela. O guaraná na taça de cristal até então escondida no fundo
do armário e usada só em grandes ocasiões.
Mas
aquela era uma grande ocasião. Nem sempre se é modelo. Nem sempre há chuva para
desfilar.
Foi
quando minha avó chegou. Os sapatos foram perdendo a graça e as taças já não
eram mais de cristal. O alpendre bagunçado, os sapatos estragados, a bronca bem
levada e o castigo malcriado.
Nem sempre se é modelo. Nem sempre há chuva para
desfilar.
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