Um lugar bem marcante que visitei foi o Museu das Crianças de
Israel, que fica na cidade de Holon, perto de Tel Aviv. O museu conta com duas
exposições: “Diálogo no Escuro” e “Convite ao Silêncio”. Tive a oportunidade de
visitar ambas, em 2008, porém, vou contar somente sobre “Diálogo no Escuro”.
Essa exposição não é uma
exposição comum, em que encontramos obras de arte. O diferencial dela é que
durante toda a visita, de aproximadamente uma hora e meia, ficamos totalmente
no escuro. O objetivo do museu é fazer que o visitante vivencie um dia como
cego. O lugar te convida a ter um momento de reflexão e de calma, pois
não estamos acostumados a ficar no escuro por tanto tempo. Além disso, conta
com a exploração de todos os nossos sentidos, com exceção da nossa visão.
Cada grupo que entra para visitar possui um guia que vai
fornecendo instruções. Assim, ele nos aconselha a seguir andando com nossas
mãos apoiadas nas paredes, pois não dá para enxergar nada. Passamos por vários
ambientes, como uma feira, em que podemos tocar em todos os vegetais que estão
expostos e senti-los. Passamos também por uma praça, com árvores, bicicletas,
bancos, que podem ser encontrados no meio do caminho.
Também nos levam a uma sala em que sentamos no chão e
simplesmente ouvimos vários tipos de música, treinando e explorando a nossa
audição. Uma parte bem legal da exposição, é quando nos conduzem a uma espécie
de balsa, nos fazem sentar, e sentir a experiência de “navegar” no escuro.
Para finalizar, há uma lanchonete em que é possível fazer
pedidos para o garçom e sentamos, comemos e pagamos no escuro. Quando sentamos
à mesa, o guia sugere um bato papo, em que podemos perguntar tudo que quisermos.
E então vem a surpresa. A maioria dos guias e funcionários do local é
deficiente visual e convive com esse tipo de experiência diariamente.
Essa experiência estética nos faz refletir sobre nossas vidas, em que muitas vezes reclamamos por mínimas coisas que são irrelevantes e poderiam ser facilmente resolvidas. Além disso, é possível explorar todos os nossos sentidos e ter sensações que jamais havíamos tido. Por isso, foi um lugar bem marcante para mim.


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